sábado, 24 de agosto de 2019

Caçada Pelos Biscoitos Perdidos dos anos 90 - Parte I


O recheado quindim da Gulosos, simplesmente inigualável!

A bola da vez foi lembrar de alguns biscoitos (ou bolachas) "obscuros" que eu achava uma delícia e sumiram das prateleiras do mercado. Então decidi escrever aqui o início (talvez) de uma caçada por estes biscoitos ou pelos similares que os substituíram. Considero obscuros porque já falei deles para algumas pessoas, mas muitas delas desconheciam da existência dessas iguarias.
Eram as delícias dos anos 90 e da primeira década do ano 2000 na opinião de uma (outrora) criança "cevada" que não dispensava nenhum tipo de guloseima (eu) 😂. E acreditem, tenho uma boa memória gustativa: lembro até do gosto da papinha que comia quando era bebê!


URSINHOS COMILÕES


O primeiro era o biscoito dos ursinhos da Richester. A embalagem era chamativa e bem vermelha, talvez por isso eu lembre bastante dela.
Não era o biscoito Fofis (que também é bom e tinha formato de ursinhos), ele era tipo um Bis mais macio e longo, totalmente coberto com chocolate e vinham uns 6 biscoitos na embalagem. A embalagem tinha os seus mascotes: dois ursinhos amarelados com chapéus de chef, comendo chocolate.

O chocolate... Bem, não era bem um chocolate, mas lembro que não eram tão doces quanto os chocolates fake atuais, cheios de gordura hidrogenada. Até nisso os caras eram bons.

Com uma pesquisada rápida, encontrei o nome: Lanchester, mas agora responde pela linha Amori da Richester. Infelizmente, retiraram os ursinhos e o segundo mascote da embalagem (que se parece muito com o mascote da Milkybar) após uma reformulação da marca, mas o produto ainda continua no mercado. Não sei se ainda continua com o mesmo sabor. Aliás, a queda da qualidade de vários biscoitos recheados merece uma matéria só dela, aguardem!

Os ursinhos devorando o biscoito

O segundo mascote. Será que é parente do mascote da Milkybar?

A embalagem atual


O BISCOITO MISTERIOSO 

"Mila, Mileto, Miller, Müller"... Não lembro o nome. Mas a embalagem era azul escura, com várias linhas finas em azul claro, formando quadrinhos. Espero que não esteeja sob o Efeito Mandela (memória falsa).
Acho que tinha escrito vitaminado na embalagem. Os biscoitos eram quadrados, não tinham recheio e eram muito bons. Mas muito bons mesmo. Talvez foi um dos melhores que já provei na vida. Crocantes, não muito doces e tinham um cheiro sensacional. Pareciam ter saído do forno recentemente. Provavelmente eram amanteigados de leite ou leite maltado e pela fraca memória desse biscoito que ainda guardo, o sabor parecia um pouco o Biscoito Piraquê da vaquinha (leite maltado). 

Cada embalagem vinha com uns 6 ou 8 biscoitos (três em cada lado), todos meio quadrados ou retangulares de tamanho um pouco maior que uma cream cracker convencional. O sabor e o cheiro desses biscoitos eram sensacionais! Eu lembro que de vez em quando meu pai comprava.
Nunca mais vi sombra desses biscoitos no supermercado e também nunca vi ninguém falando deles pela internet. Pode ser fruto da minha imaginação, a não ser que outra pessoa lembre. 
Fica aqui a deixa para quem lembra ou tem mais informações, escrever aí no comentário.
Já que não achei imagem, pedi à inteligência artificial para ilustrar como ele era mais ou menos.


PALHACITOS?

Biscoito com Recheio Confeitado Também tinha um biscoito com muito confeito colorido no recheio, desconheço o nome. Algumas pessoas me falaram que pode ser o Palhacitos, mas não era esse. O recheio era branco, com sabor de baunilha, ou morango e realmente vinha muito confeito em formato de bolinhas bem pequenas. Era legal derreter o recheio na boca e depois ficar mastigando os confeitos.


UM DOS MELHORES

O próximo da lista é o biscoito Parmalat de chocolate (não era o Kid Lat). Lembro que era incrivelmente bom, o recheio era diferente. Não era muito açucarado,e a parte do biscoito não era enjoativa. Enfim, este biscoito era diferente! Era fora de série e um dos melhores sabores na minha memória. Segundo o registro mais antigo do site deles no Wayback Machine, os biscoitos da marca eram fabricados com "o mais puro Leite Parmalat".
Infelizmente, a Parmalat faliu, mas mesmo antes disto o biscoito foi perdendo o sabor que tinha.
O biscoito ainda existe por aí, agora fabricado pela Duchen. Ainda não provei para saber se é a mesma fórmula antiga. Um dos únicos resquícios da imagem desse biscoito é esse molde aí embaixo.
Biscoito Parmalat, esse ficou só na saudade...

BA-NA-NA

Havia também um biscoito Recheado de Banana da Belavista (este ainda se encontra por aí em qualquer mercearia, mercadinho ou birosca), lembro que na época eu comprava por míseros 50 centavos, provei todos os sabores, mas o de banana era sensacional (até hoje em dia não se acha biscoitos recheados sabor banana tão facilmente). Era o tipo de biscoito que você pensava que seria ruim porque era barato, mas acabava te surpreendendo.




MENÇÕES HONROSAS


Biscoito Gulosos sabor Quindim 
esse eu não lembraria se não visse que tinham várias pessoas fuzilando a Bauducco no site Reclame Aqui por retirarem esse biscoito de circulação e pedindo a sua volta.
A empresa alegou que o biscoito tinha baixa saída (acho que temos alguém mentiroso aqui). Eu achava um pouco doce, mas era muito bom. Tinha uns pedacinhos de coco meio secos, apesar disso o sabor era bastante único e quem provou nunca esqueceu. Só comi uma vez ou duas, depois nunca mais: quando procurei novamente o biscoito já não estava mais entre nós.Trágico! 
O que restou foi apenas essa imagem embaçada.




Biscoito de Coco da Nestlé. Hoje o biscoito está sob a marca Nesfit; é integral, tem formato redondo, não tem mais os grãozinhos de açúcar em cima nem o desenho em relevo da cabana na praia. Não é ruim de todo, mas não chega aos pés da versão original.
Resultado de imagem para biscoito coco nestle
Biscoito Parmalat do Senninha. Esse nunca provei, mas vale a pena mencionar. Era da falecida Parmalat, o biscoito era de leite, meio amarelado e o recheio era de chocolate. Pela imagem parece bastante com o antiguíssimo biscoito do Sonic dos anos 90, que nem imagem tem, só vejo o povo comentando e em propagandas de gibi antigos.




Biscoito da TV Colosso. Pelo que pesquisei, esses biscoitos vinham em um saco (tipo saco de salgadinho) no sabor morango e chocolate, sem recheio. Dificilmente você encontra biscoito de morango sem recheio.

Marilan Distração Goiaba. Alguns acham esse produto sem graça, mas eu achei uma ideia porreta de sensacional colocar uma parte de outro sabor numa simples bolacha de maisena. Hoje em dia existem diversos sabores desse biscoito, mas retiraram o de goiaba de circulação. Existia também um sabor café, ou era capuccino.

Biscoito Festiva Pamonha Essa iguaria era excepcionalmente diferenciada pela ousadia de criarem um biscoito sabor milho verde e recheado. Não era lá grande coisa, mas também não era ruim. A única imagem disponível na internet é esta. Só quem provou sabe do que tô falando.

E ZÉ FINI...

Muita gente reclama que as bolachas atuais nunca vão superar as mais antigas, isso tem um fundo de verdade. Até as embalagens perderam a mágica, principalmente biscoitos que vinham em formas diferentes ou com personagens estampados. Muitas pessoas em diversos fóruns e comentários na internet afirmam que isso na verdade pode até ter motivações políticas. A questão do sabor e diminuição do tamanho é outra história que, como já disse, farei uma postagem só tratando desse assunto. 
Toda essa confusão me lembrou dos mascotes do suco Kapo logo quando foi lançado, que tinham características de personagens de anime, depois foram substituídos por animais escrotaços em 3D.

Imagem relacionada

O Kapo atualmente...



Outros biscoitos que merecem ser lembrados pela meteórica aparição foram o Bis Yogo e o Trakinas Limão, que farei postagem só deles. Aguardem novidades!


segunda-feira, 22 de julho de 2019

Uma Minúscula História Monocromática de Suspense Nonsense (Até Certo Ponto) Sem Final Definido: Episódio 3

Parte final (?), mais mal desenhada e nonsense que as anteriores, só fiz porque tive um tempinho e nunca mais desenhei nada no Paint. Isso são coisas que surgem na minha cabeça, tive vontade de desenhar e dá nisso aí: 9 anos de um blog totalmente doido e caquético.

Quem quiser rever as outras partes, estão abaixo.
Parte 1
Parte 2


quarta-feira, 26 de junho de 2019

Vôos da Destruição

Já estava a bastante tempo sem sonhar um igual ao da noite passada e este sonho foi bastante longo, parece que foi pra compensar.
Então começou: eu estava numa praia, uma estrada meio deserta, mas passava carros e pessoas.
De repente, vi um prédio muito alto e inacabado. Ainda não tinha reboco, mas muitas pessoas estavam dentro.
Eu entrei e mantive contato com aquelas pessoas, mas a partir de certo momento a treta começou. Não sei bem o que era, mas começou uma espécie de batalha: todos eles contra mim.
Então eu tinha o poder de voar e saí, na maior velocidade atravessava o predio várias vezes e enfraquecer sua estrutura, até que ele tombou.
Essa parte foi mais legal, porque eu sentia que controlava o vôo. Olhei para baixo e estava relativamente bem alto. Sentia até o vento... Incrível!
Logo após isto eu já estava em outro prédio onde estava acontecendo uma espécie de feira de ciencias. Fui caminhando e achei uma sacola plástica no chão, pus na boca (imbecil hauahaua) e alguém me disse que estava contaminada por ratos, eu cuspi tudo fora.
Depois eu apareci em uma praia/cidade passeando com uma jornalista. Pedimos um lanche e eu não lembro de mais nada...

Analisando essa história depois fui ver que tem traços parecidos com a do Superman: capacidade de voar e a aparição da jornalista, só que não lembro se estava lendo algo do Superman no dia anterior.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Teleco, o Coelhinho

A primeira vez que li este conto foi naquela coleção Para Gostar de Ler e não a entendi muito bem.
Voltei diversas vezes para ler o final. Como uma coisa daquelas seria possível???
É uma história meio boba no início, mas vai tomando proporções maiores até... o final... Mostra como as coisas na vida mudam, relações entre pessoas, etc.
Murilo Rubião é um autor sensacional.


“Três coisas me são difíceis de entender, e uma quarta eu a ignoro completamente: o caminho da águia no ar, o caminho da cobra sobre a pedra, o caminho da nau no meio do mar, e o caminho do homem na sua mocidade.”

(Provérbios, XXX, 18 e 19)



– Moço, me dá um cigarro?

A voz era sumida, quase um sussurro. Permaneci na mesma posição em que me encontrava, frente ao mar, absorvido com ridículas lembranças.

O  importuno pedinte insistia:

–    Moço, oh! Moço! Moço me dá um cigarro?

Ainda com os olhos fixos na praia, resmunguei:

Vá embora, moleque, senão chamo a polícia.

–    Está bem, moço. Não se zangue. E, por favor; saia da minha frente, que eu também gosto de ver o mar.

Exasperou-me a insolência de quem assim me tratava e virei-me, disposto a escorraçá-lo com um pontapé. Fui desarmado, entretanto. Diante de mim estava um coelhinho cinzento, a me interpelar delicadamente:

– Você não dá é porque não tem, não é, moço?

O seu jeito polido de dizer as coisas comoveu-me. Dei-lhe o cigarro e afastei-me para o lado, a fim de que melhor ele visse o oceano. Não fez nenhum gesto de agradecimento, mas já então conversávamos como velhos amigos. Ou, para ser mais exato somente o coelhinho falava. Contava-me acontecimentos extraordinários, aventuras tamanhas que o supus com mais idade do que realmente aparentava.

Ao fim da tarde, indaguei onde ele morava. Disse não ter morada certa. A rua era o seu pouso habitual. Foi nesse momento que reparei nos seus olhos. Olhos mansos e tristes. Deles me apiedei e convidei-o a residir comigo. A casa era grande e morava sozinho   acrescentei.

A explicação não o convenceu. Exigiu-me que revelasse minhas reais intenções:

Por acaso, o senhor gosta de carne de coelho? Não esperou pela resposta:

– Se gosta, pode procurar outro, porque a versatilidade é o meu fraco.

Dizendo isto, transformou-se numa girafa.

– A noite – prosseguiu – serei cobra ou pombo. Não lhe importará a companhia de alguém tão instável?

Respondi-lhe que não e fomos morar juntos.

Chamava-se Teleco.

Depois de uma convivência maior, descobri que a mania de metamorfosear-se em outros bichos era nele simples desejo de agradar ao próximo. Gostava de ser gentil com crianças e velhos, divertindo-os com hábeis malabarismos ou prestando-lhes ajuda. O mesmo cavalo que, pela manhã, galopava com a gurizada, à tardinha, em lento caminhar, conduzia anciãos ou inválidos às suas casas.

Não simpatizava com alguns vizinhos, entre eles o agiota e suas irmãs, aos quais costumava aparecer sob a pele de leão ou tigre. Assustava-os mais para nos divertir que por maldade. As vítimas assim não entendiam e se queixavam à polícia, que perdia o tempo ouvindo as denúncias. Jamais encontraram em nossa residência, vasculhada de cima a baixo, outro animal além do coelhinho. Os investigadores irritavam-se com os queixosos e ameaçavam prendê-los.

Apenas uma vez tive medo de que as travessuras do meu irrequieto companheiro nos valessem sérias complicações. Estava recebendo uma das costumeiras visitas do delegado, quando Teleco, movido por imprudente malícia, transformou-se repentinamente em porco-do-mato. A mudança e o retorno ao primitivo estado foram bastante rápidos para que o homem tivesse tempo de gritar. Mal abrira a boca, horrorizado, novamente tinha diante de si um pacifico coelho:

O  senhor viu o que eu vi?

Respondi, forçando uma cara inocente, que nada vira de anormal.

O homem olhou-me desconfiado, alisou a barba e, sem se despedir, ganhou a porta da rua.

A mim também me pregava peças. Encontrava-se vazia a casa, já sabia que ele andava escondido em algum canto, dissimulado em algum pequeno animal. Ou mesmo no meu corpo sob a forma de pulga, fugindo-me dos dedos, correndo pelas minhas costas. Quando começava a me impacientar e pedia-lhe que parasse com a brincadeira, não raro levava tremendo susto. Debaixo das minhas pernas crescera um bode que, em disparada, me transportava até o quintal. Eu me enraivecia, prometia-lhe uma boa surra. Simulando arrependimento, Teleco dirigia-me palavras afetuosas e logo fazíamos as pazes.

No mais, era o amigo dócil, que nos encantava com inesperadas mágicas. Amava as cores e muitas vezes surgia transmudado em ave de todas as espécies inteiramente desconhecidas ou de raça já extinta.

Não existe pássaro assim!

Sei. Mas seria insípido disfarçar-me somente em animais conhecidos.

O primeiro atrito grave que tive com Teleco ocorreu um ano após nos conhecermos. Eu regressava da casa da minha cunhada Emi, com quem discutira asperamente sobre negócios de família. Vinha mal-humorado e a cena que deparei ao abrir a porta da entrada, agravou minha irritação. De mãos dadas, sentados no sofá da sala de visitas, encontravam-se uma jovem mulher e um mofino canguru. As roupas dele eram mal talhadas, seus olhos se escondiam por trás de uns óculos de metal ordinário.

O  que deseja a senhora com esse horrendo animal? – perguntei, aborrecido por ver minha casa invadida por estranhos.

– Eu sou o Teleco – antecipou-se, dando uma risadinha.

Mirei com desprezo aquele bicho mesquinho, de pêlos ralos, a denunciar subserviência e torpeza. Nada nele me fazia lembrar o travesso coelhinho.



Neguei-me a aceitar como verdadeira a afirmação, pois Teleco não sofria da vista e se quisesse apresentar-se vestido teria o bom gosto de escolher outros trajes que não aqueles.

Ante a minha incredulidade, transformou-se numa perereca. Saltou por cima dos móveis, pulou no meu colo. Lancei-a longe, cheio de asco.

Retomando a forma de canguru, inquiriu-me, com um ar extremamente grave:

– Basta esta prova?

– Basta. E daí? O que você quer?

-De hoje em diante serei apenas homem.

 -Homem? – indaguei atônito. Não resisti ao ridículo da situação e dei uma gargalhada:

– E isso?   Apontei para a mulher. É uma lagartixa ou um filhote de salamandra?

Ela me olhou com raiva. Quis retrucar, porém ele atalhou:

– É Tereza. Veio morar conosco. Não é linda?

Sem dúvida, linda. Durante a noite, na qual me faltou o sono, meus pensamentos giravam em torno dela e da cretinice de Teleco em afirmar-se homem.

Levantei-me de madrugada e me dirigi à sala, na expectativa de que os fatos do dia anterior não passassem de mais um dos gracejos do meu companheiro.

Enganava-me. Deitado ao lado da moça, no tapete do assoalho, o canguru ressonava alto. Acordei-o, puxando-o pelos braços:

– Vamos, Teleco, chega de trapaça.

Abriu os olhos, assustado, mas, ao reconhecer-me, sorriu:

-Teleco?! Meu nome é Barbosa, Antônio Barbosa, não é, Tereza?

Ela, que acabara de despertar, assentiu, movendo a cabeça. Explodi, encolerizado:

– Se é Barbosa, rua! E não me ponha mais os pés aqui, filho de um rato!

Desceram-lhe as lágrimas pelo rosto e, ajoelhado, na minha frente, acariciava minhas pernas, pedindo-me que não o expulsasse de casa, pelo menos enquanto procurava emprego.

Embora encarasse com ceticismo a possibilidade de empregar-se um canguru, seu pranto me demoveu da decisão anterior, ou, para dizer a verdade toda, fui persuadido pelo olhar súplice de Tereza que, apreensiva, acompanhava o nosso diálogo.

Barbosa tinha hábitos horríveis. Amiúde cuspia no chão e raramente tomava banho, não obstante a extrema vaidade que o impelia a ficar horas e horas diante do espelho. Utilizava-se do meu aparelho de barbear, da minha escova de dente e pouco serviu comprar-lhe esses objetos, pois continuou a usar os meus e os dele. Se me queixava do abuso, desculpava-se, alegando distração.

Também a sua figura tosca me repugnava. A pele era gordurosa, os membros curtos, a alma dissimulada. Não media esforços para me agradar, contando-me anedotas sem graça, exagerando nos elogios à minha pessoa.

Por outro lado, custava tolerar suas mentiras e, às refeições, a sua maneira ruidosa de comer, enchendo a boca de comida com auxílio das mãos.

Talvez por ter-me abandonado aos encantos de Tereza, ou para não desagradá-la, o certo é que aceitava, sem protesto, a presença incômoda de Barbosa.

Se afirmava ser tolice de Teleco querer nos impor sua falsa condição humana, ela me respondia com uma convicção desconcertante:

       – Ele se chama Barbosa e é um homem.

O canguru percebeu o meu interesse pela sua companheira e, confundindo a minha tolerância como possível fraqueza, tornou-se atrevido e zombava de mim quando o recriminava por vestir minhas roupas, fumar dos meus cigarros ou subtrair dinheiro do meu bolso.

Em diversas ocasiões, apelei para a sua frouxa sensibilidade, pedindo-lhe que voltasse a ser coelho.

Voltar a ser coelho? Nunca fui bicho. Nem sei de quem você fala.

– Falo de um coelhinho cinzento e meigo, que costumava se transformar em outros animais.

Nesse meio tempo, meu amor por Tereza oscilava por entre pensamentos sombrios, e tinha pouca esperança de ser correspondido. Mesmo na incerteza, decidi propor-lhe casamento.

Fria, sem rodeios, ela encerrou o assunto:

– A sua proposta é menos generosa do que você imagina. Ele vale muito mais.

As palavras usadas para recusar-me convenceram-me de que ela pensava explorar de modo suspeito às habilidades de Teleco.

Frustrada a tentativa do noivado, não podia vê-los juntos e íntimos, sem assumir uma atitude agressiva.

O canguru notou a mudança no meu comportamento e evitava os lugares onde me pudesse encontrar.

Uma tarde, voltando do trabalho, minha atenção foi alertada pelo som ensurdecedor da eletrola, ligada com todo o volume. Logo ao abrir a porta, senti o sangue afluir-me à cabeça: Tereza e Barbosa, os rostos colados, dançavam um samba indecente.

Indignado, separei-os. Agarrei o canguru pela gola e, sacudindo-o com violência, apontava-lhe o espelho da sala:

-É tu, não é um animal?

-Não, sou um homem! – E soluçava, esperneando, morto de medo pela fúria que via nos meus olhos.

A Tereza, que acudira, ouvindo seus gritos, pedia:

– Não sou um homem, querida? Fala com ele:

-Sim, amor, você é um homem.

Por mais absurdo que me parecesse, havia uma trágica sinceridade na voz deles. Eu me decidira, porém. Joguei Barbosa ao chão e lhe esmurrei a boca. Em seguida, enxotei-os.

Ainda da rua, muito excitada, ela me advertiu:

– Farei de Barbosa um homem importante, seu porcaria!



Foi a última vez que os vi. Tive, mais tarde, vagas notícias de um mágico chamado Barbosa a fazer sucesso na cidade. A falta de maiores esclarecimentos, acreditei ser mera coincidência de nomes.

A minha paixão por Tereza se esfumara no tempo e voltara o interesse pelos selos. As horas disponíveis eu as ocupava com a coleção.

Estava, uma noite, precisamente colando exemplares raros, recebidos na véspera, quando saltou, janela adentro, um cachorro. Refeito do susto, fiz menção de correr o animal. Todavia não cheguei a enxotá-lo.

      – Sou o Teleco, seu amigo, afirmou, com uma voz excessivamente trêmula e triste, transformando-se em uma cotia.

-E ela?   Perguntei com simulada displicência.

-Tereza…  sem que concluísse a frase, adquiriu as formas de um pavão.

Havia muitas cores… O circo… Ela estava linda… Foi horrível…   Prosseguiu, chocalhando os guizos de uma cascavel.

Seguiu-se breve silêncio, antes que voltasse a falar:

-O uniforme… muito branco… cinco cordas… amanhã serei homem… – as palavras saíam-lhe espremidas, sem nexo, à medida que Teleco se metamorfoseava em outros animais.

Por um momento, ficou a tossir Uma tosse nervosa. Fraca, a princípio, ela avultava com as mutações dele em bichos maiores, enquanto eu lhe suplicava que se aquietasse. Contudo ele não conseguia controlar-se.

Debalde tentava exprimir-se. Os períodos saltavam curtos e confusos.

– Pare com isso e fale mais calmo – insistia eu, impaciente com as suas contínuas transformações.

-Não posso, tartamudeava, sob a pele de um lagarto.

Alguns dias transcorridos perdurava o mesmo caos. Pelos cantos, a tremer, Teleco se lamuriava, transformando-se seguidamente em animais os mais variados. Gaguejava muito e não podia alimentar-se, pois a boca, crescendo e diminuindo, conforme o bicho que encarnava na hora, nem sempre combinava com o tamanho do alimento. Dos seus olhos, então, escorriam lágrimas que, pequenas nos olhos miúdos de um rato, ficavam enormes na face de um hipopótamo.

Ante a minha impotência em diminuir-lhe o sofrimento, abraçava-me a ele, chorando. O seu corpo, porém, crescia nos meus braços, atirando-me de encontro à parede.

Não mais falava: mugia, crocitava, zurrava, guinchava, bramia, triscava.

Por fim, já menos intranqüilo, limitava as suas transformações a pequenos animais, até que se fixou na forma de um carneirinho, a balir tristemente. Colhi-o nas mãos e senti que seu corpo ardia em febre, transpirava.

Na última noite, apenas estremecia de leve e, aos poucos, se aquietou. Cansado pela longa vigília, cerrei os olhos e adormeci. Ao acordar, percebi que uma coisa se transformara nos meus braços. No meu colo estava uma criança encardida, sem dentes. Morta.



****



No conto “Teleco, o Coelhinho”, a busca de humanidade esconde o desejo de superar a indiferença e o desprezo dos homens. A narrativa em primeira pessoa nos apresenta o ponto de vista do homem que recebe o coelhinho em sua casa. Encantado pela meiguice de Teleco, o narrador descobre que “a mania de transformar-se em outros bichos era nele simples desejo de agradar o próximo.” (RUBIÃO, 16ª ed., 1993:22).

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Uma História Idiota e Um Desenho Idiota Pra Refrescar o Seu Verão

Século XXXI.
Eis que o pau comeu entre as nações e tudo acabou-se em um quiproquó com bombas nucleares há alguns séculos atrás. Mas a humanidade mostrou-se uma praga tão difícil de matar tal qual as baratas, que agora são os seus animais de estimação favoritos.
Hoje, vive-se num patamar civilizacional parecido com o do início do século XXI, a  diferença é que não há mais comida e as pessoas vivem à base de Ki-Suco e de radiação.
FIM.


sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Loucuras Climáticas e Burrices Imprecisas da Mídia

Se existe um profissional que acha que tem muita propriedade pra comentar determinado assunto são os jornalistas. Uns acertam, muitos erram. Muitos. A grande maioria.
Eu reuni nessa postagem toda minha indignação, como bom observador do clima e da meteorologia, contra essas antas que ganham rios de dinheiro, mas constantemente defecam pela boca na televisão. Olha que não é necessário nenhum estudo aprofundado pra perceber a mudança no clima. Um matuto no interior mais recôndito deste Brazel é muito mais sábio que um jornalista neste quesito.


Verão  ☀️

Primeiro dia da estação liga-se a televisão, logo pela manhã, e vemos a cara sorridente dos apresentadores do telejornal anunciando a chegada do verão. Aliás, mais alegre que o normal e isto me deixa tremendamente enraivado.
Mas o telespectador esperto como eu, sabe muito bem que verão, além do calor insuportável, trás uma série de infernações. Tempestades e enchentes alagam as cidades, mosquitos se reproduzem enlouquecidamente e o calor infernal racha os cocos. Fora ter que aturar o cecê dos desodorantes vencidos e o fedor do suor que devemos suportar nas aglomerações urbanas. Falar que ama o verão e passar o dia todo em um estúdio com o ar condicionado ligado no máximo sem ter que se preocupar com a conta no fim do mês é muito fácil.


Verão com cara de Inverno  

Todo ano chove no verão, desde que os homens das cavernas faziam suas capoeiragens do Oiapoque ao Chuí. Ou pelo menos quando o clima ficou parecido com o atual, provavelmente após a era do gelo mas, putaqueopariu, será que é tão difícil NOTAR isso? Não precisa nem ter estudo pra isso, é só NOTAR, PERCEBER, OBSERVAR: a quantidade de chuva que se descarrega é terrivelmente imensa, mas o diabo do calor continua, o que gera mais vapor para a atmosfera e, consequentemente, mais chuvas... Esta expressão é corriqueira na mídia após cair um mínimo de chuva durante o verão.


É Primaveeeera, te amo...  🌼

Primavera é a estação das flores. Como um país tropical somos abençoados pela natureza: a floração das árvores ocorrem em todo o ano. Ainda digo mais: as variadas espécies de plantas trazidas por colonizadores, imigrantes, escravos, índios nômades se adaptaram bem e dão flores por quase todo o ano.
Não é nem questão de estudo, é de percepção mesmo. Mas não acaba por aí não, dizem aos quatro-ventos que a primavera é a "estação do amor". Outra coisa, existe uma justificativa biológica para que a primavera seja a "estação do amor", que creio valer apenas para onde o clima é temperado, denominada luxúria do tempo, onde os animais ficam mais propensos ao acasalamento devido ao aumento da temperatura e a mudança de hormônios. 
Mas putaqueopariu, num país onde o povo se fode o ano todo...


Outono, a estação das frutas e das folhas que caem 🍃

Esta é uma das frases mais imbecis que já ouvi. Possa ser que uma ou outra árvore apresente estas características, já que elas podem ter sido trazidas por imigrantes ou importadas de diferentes regiões do planeta, mas a flora de um país tropical pode ser frutífera durante boa parte do ano e não apresentam essa deciduidade ou caducifolidade (capacidade de uma planta perder suas folhas no outono/inverno) característica presente em plantas de clima frio e temperado.



Conclusão:

Estamos em um país de dimensões continentais, aqui no Brasil temos vários tipos diferentes de domínios climáticos a depender da região, mas tendem a falar como se fôssemos somente uma só massa. O Brasil é imenso!
As pessoas demoram a perceber as coisas. Uma mentira e uma burrice repetidas várias vezes é tomada como verdade.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

A Volta do Rato dos Sintomas!!!

O rato dos sintomas voltou! Contaminado pelas últimas eleições, ele retorna na versão politiqueira.

A propósito: O LULA TÁ PRESO, BABACA!

Quem quiser rever as antigas aventuras mortais do rato dos sintomas, estão neste link aqui.

sábado, 3 de novembro de 2018

Alimentos Indigestos

Nesta postagem vou destacar alguns dos piores produtos que já comi nessa vida. Alguns já saíram de linha, mas outros não sei se ainda existem no mercado. Não sei o que dá na cabeça desse pessoal que lança produtos tão ruins assim.
Vou deixar o pior por último.

(Lembrando ao pessoal que deu por falta das minhas loucuras no Facebook e veio buscar informação aqui, é que levei uma zuckada de 30 dias e vou demorar para aparecer por lá).

Biscoito amanteigado sabor laranja


Até que não era ruim no começo, mas o biscoito era muito seco. Misturado com leite, o gosto ficava horroroso, ficava com gosto de golfada de leite com laranja. Não lembro se era dessa marca aí.



Caldo Knorr de peixe
O sabor lembrava pele de peixe, daquelas que quando o peixe não é bem frito e algumas partes ficam meia cruas, você morde e fica com aquele ranço na boca. Procurei pela internet e ele parou de ser fabricado aqui no Brasil.



Cheetos jogo da velha (Cheetos roxo)
Esse ainda tinha um lado bom, que eram os tazos da Copa de 2002. Mas o sabor eu não gostava, era meio azedo e realmente fedia a meia suja. Ainda bem que foi edição limitada. Muitos o conhecem por Cheetos roxo.



Rosquinhas Sequilho
Bom, os sequilhos que eu conheço não parecem nada com isto. Essas rosquinhas nada mais são do que biscoitos de goma ruins, de sabor horrível e muito doces. São enjoativos demais! Eu não gostei.



Lámen de moqueca
Esse é muito raro. Achei conteúdo tão escasso que acho que era maluquice da minha cabeça, e esse miojo era só minha imaginação, mas não era... Procurei bastante e achei esta raríssima foto em um outro blog que esqueci o endereço (procurei mas não achei mais). Enfim descobri essa "maravilha" lá por volta de 2007/2008 durante umas comprinhas num supermercado bem fuleiro.
Eu já tinha provado um sabor feijão com arroz e achei a maior porcaria, mas não imaginaria a surpresa que este manjar me traria. Este moqueca superou todos os piores sabores possíveis e imagináveis. Ruim, ruim, ruim, que dava dó.
Tentarei explicar gosto: lembrava o de peixe com uma puxada forte de coco e alguma coisa que foi colocada para lembrar azeite de dendê, mas não parecia nada com isto. Era muito ruim, um dos piores alimentos que já provei na vida!

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Café e Maracujá

Hoje eu me submeti a um experimento louco. Doido, porém estupendo. Tomei um café forte e logo após suco de maracujá igualmente forte. Não sei se um corta o efeito do outro ou o que estou sentindo é efeito placebo, mas aqui vai o relato.
Sei que um dos principais efeitos da a cafeína é estimular, deixar acordado, enquanto que o do suco de maracujá é depressor, deixa a pessoa sonolenta e pode baixar a pressão arterial.
Bom, voltando ao que interessa: o que estou sentindo?
Uma espécie de sonolência. Já bocejei umas trinta vezes e uma leve sensação de cansaço
Em compensação, meus olhos estão lacrimejando um pouco de contra a luz do celular e estão com a sensação de não querer fechar, tipo uma leve insônia.
O meu corpo está relaxado, mas firme.
Conclusão. Estou meio que zumbificado: quero dormir, mas também não quero.

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