sexta-feira, 5 de junho de 2026

Propagandas Honestíssimas #1 - O Biscoito Recheado de Chocolate

Há muito tempo, em uma fábrica distante, um grão de cacau sonhou em participar de um biscoito recheado.
Infelizmente, ele foi derrotado por um exército de açúcar, gordura vegetal e aromatizantes.
O resultado foi um produto que continua estampando a palavra CHOCOLATE na embalagem em letras que podem ser vistas da órbita terrestre, enquanto o cacau aparece discretamente na lista de ingredientes, muitas vezes acompanhado de uma longa comitiva de outros componentes.
Não que o biscoito seja ruim. Pelo contrário. Ele cumpre muito bem sua missão de desaparecer misteriosamente do pacote poucos minutos após ser aberto porque infelizmente às vezes a gula é maior que a escolha.

Mas talvez uma embalagem honesta fosse mais sincera:
"Biscoito recheado sabor lembrança distante de chocolate."
Ou quem sabe:
"Contém chocolate o suficiente para justificar a foto da embalagem."

O cacau entrou na receita apenas para que os advogados não tivessem trabalho. O verdadeiro recheio não é chocolate, é marketing.


segunda-feira, 11 de maio de 2026

Nesquik - A Queda: Caramelo Sumiu e Morango Virou Açúcar Rosa

Continuando a série de falar sobre produtos alimentícios, hoje vamos traçar a trajetória de um produto que adoçava as manhãs da garotada: o Nesquik. E houve uma época em que o coelho resolveu ousar.

Sim, ousar de verdade, não esse “nova fórmula levemente diferente” que dura 3 meses. E daí veio o Nesquik Caramelo, a verdadeira delícia gelada.

O cheiro disso era uma coisa fora de série!


🍮 Nesquik Caramelo (final dos anos 90 / começo dos 2000)

Ele existiu.
E não era delírio coletivo.

Um achocolatado que decidiu sair do chocolate/morango e foi direto pro caramelo, como se alguém tivesse deixado um pudim cair dentro do leite.

Simplesmente delicioso bem gelado. 

Mas tudo que é bom dura pouco. Porque o brasileiro médio olha pra algo fora do padrão e manda:

“Cadê o chocolate disso aqui?”

Resultado: sumiu sem despedida. A Nestlé alegou às baixas vendas e foco no sabor morango, que é o seu carro chefe.
Provavelmente enterrado junto com várias outras ideias boas que não sobreviveram ao mercado.

O Trio Ternura dos anos 90/2000.


🍓 Nesquik Morango A decadência em pó

Agora vamos ao sobrevivente… ou quase isso.

O Nesquik de morango ainda existe, tecnicamente.
Mas em algum ponto da linha do tempo ele deixou de ser “sabor morango” e virou:

açúcar cor-de-rosa com leves traços de nostalgia

Você coloca no leite e o gosto é tipo:

  • 90% doce
  • 9% memória afetiva
  • 1% morango tentando sobreviver

É como se o produto tivesse desistido de fingir que era fruta e abraçado o caos.

🧠 Teoria (não tão teoria assim)

O que aconteceu aqui é simples:

  • O caramelo morreu porque era diferente demais
  • O morango sobreviveu, mas foi domesticado até virar açúcar com corante

Ou seja:
👉 o mercado não rejeita o produto, ele vai colocando downgrade até o momento que o povo percebe. Se não perceber, segura que vai ficar pior.

🥛 Conclusão

O Nesquik já tentou inovar.
Hoje ele só tenta não assustar ninguém.

E no fim das contas, a lição é clara:

Se o sabor for diferente, ele some.
Se for popular, ele é diluído até virar lembrança.

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Cremogema e a Zona dos Mascotes: Quando o Mingau virou Zoológico (e Depois Fingiu que Nada Aconteceu)

A Cremogema não virou um clássico apesar do marketing virou apesar das decisões de marketing. O que era só um mingau virou, ao longo dos anos, um zoológico doidaço de mascotes que surgiram, sumiram e foram substituídos sem explicação alguma. Este texto é o registro oficial desse surto embalado em caixa de papelão.

A Cremogema começou simples, quase humilde demais para o caos que viria depois.

🟡 Anos 70/80 - A era da sobriedade

No começo, nada de mascote.
Nada de animal simpático.
Nada de marketing infantil psicodélico.

Era só um prato com mingau, olhando pra você como quem diz:
“É isso. Come e não enche.”

Design fechado, sério, quase soviético. Um produto que parecia mais um alimento funcional do que algo que uma criança iria implorar e fazer showzinho no mercado.

🟣 Anos 90 / 2000 - O surto coletivo

Aí alguém no marketing pensou:

“E se… o mingau tivesse personalidade?”

E pronto. Junte isso ao fato que os anos 90 foram a década mais sem limites de todos os tempos.
Aí a Cremogema entrou oficialmente na fase zoológico antropomorfizado. Infelizmente há poucas imagens das embalagens disponíveis na internet, aqui é na base da memória.

Embalagem da Cremogema Tradicional dos Anos 1990.

🌽 Milho Verde: O Espantalho

Até que faz sentido.
Milho → fazenda → espantalho.
Um raro momento de lucidez no delírio. O espantalho mais parecia um filho do mascote do Fandangos com a Emília do Sítio do Pica-pau Amarelo.

🍓 Morango: O Coelho

Coelho, morango, infância... tudo alinhado. Esse sabor era o meu favorito e acho que de centenas de outras crianças na época.
Por um breve momento, a Cremogema parecia saber exatamente o que estava fazendo (mas veja o que ela fará mais para frente).

🍫 Chocolate: A Vaca

Uma vaca gordinha e marrom.
Meio óbvio para um produto de chocolate.
Ninguém sabe explicar, todo mundo aceitou e muitos dizem que era o melhor sabor.

🟡 Tradicional: O Urso

O sabor tradicional ganha um urso, símbolo universal de conforto, infância e “esse produto nunca vai sair de linha”.

Até hoje ele sobrevive. O verdadeiro Highlander da Cremogema. Ele passou por várias modificações durante as décadas de 1990 - 2000.

Versão Anos 2000

🔵 Anos 2010 - As edições limitadas e o marketing experimental

Aqui a coisa começa a ficar caótica de verdade. Inclusive nessa época houveram vários crossovers insólitos: Era do Gelo, Disney, Cocoricó estamparam os sabores do mingau. Vamos nos abster a falar desses, vamos focar nos animais exclusivos da Cremogema, que foram:

🌙 Hora do Sono - A Ovelha

Porque nada diz “durma bem” como um mingau com branding de ASMR infantil.
Ovelha, contar carneirinhos, bocejo, noite... tudo muito conceitual. Um sossega-leão júnior.

🌾🍯 Aveia e Mel - A Esquila Marrom

Um esquilo fêmea.
Marrom.
E, aparentemente, a segunda mascote feminina da linha (ignorando o arco Disney/Cocoricó), finalmente chegando pra fazer companhia à Vaca do chocolate: porque até no mingau alguém precisava colocar as fofocas em dia.

🌽 Canjica - O retorno do Espantalho

Sim, ele voltou apelando para o regionalismo.
Porque mascote aposentado nunca morre só espera uma edição limitada.

🍌 Vitamina de Frutas / Banana → Macaco

Sim, existiu este sabor lá pelos anos 2000 e somente quem já está com a coluna reclamando irá lembrar. A vitamina de frutas some misteriosamente (provavelmente sequestrada) e surge o sabor banana, com um macaco, porque criatividade é isso: fruta → animal óbvio.

A boca do macaco parece mais um bico de pato.

🥕🥔 Legumes (salgado): A Batata e a Cenoura

Sim, teve versão salgada.
Sim, com legumes.

E os mascotes?
Uma batata e uma cenoura.

Sem animal, sem metáfora. Só dois vegetais olhando pra você como quem diz:
“É isso aí. Hoje o mingau desistiu de ser sobremesa.”

Um raro momento em que a Cremogema abandonou o zoológico e foi direto pro hortifruti. Provavelmente o ato mais honesto de toda a linha.

🔴 E o morango? O maior crime dessa história

Aqui mora a treta.

O morango tinha um coelho.
Clássico. Funcional. Aceitável.

Aí alguém decidiu que não era mais suficiente.

💥 Coelho removido.
💥 Entra um esquilo rosa.

UM. ESQUILO. ROSA.

Não explica o morango.
Não explica a cor.
Não explica a troca.

Só acontece.
E nós aceitamos porque já estamos ficando velhos e desistimos de entender.

🔁A Repaginada

Nos anos 2010 os mascotes padrão levaram uma forte recauchutada. Reparem como tudo nessa época queria passar uma imagem de jovem dinâmico - "também sou hype". Abaixo a Vaca e o Urso, o Coelho e o Macaco já foram mostrados anteriormente. Aparentemente o Espantalho também foi modificado nessa fase, no entanto não há ibagens.


O urso com um olho no mingau outro na informação nutricional.

📊 O quadro atual (o que sobrou depois do surto de 2010)

Depois de décadas de mascotes entrando e saindo como se fosse reality show:

✔️ Tradicional: Urso (imortal)
✔️ Chocolate: Vaca (repaginada porém resistente)
✔️ Morango: Esquilo rosa (ninguém pediu, mas ficou)

Todo o resto virou lembrança nebulosa, edição limitada ou delírio coletivo de quem cresceu vendo bichos em embalagem no café da manhã.


Ele continua firme e forte.


🥣 Conclusão

A Cremogema tentou:

  • ser séria

  • ser divertida

  • ser conceitual

  • ser calmante

  • ser zoológico

  • ser hortifruti

  • fazer crossovers

No fim, ficou com três mascotes sobreviventes e um monte de personagens abandonados no limbo do marketing alimentar brasileiro.

É quase um filme épico. E você aí, achando que só estava tomando mingau...

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

KI-SUCO COOLÁIDRAÇO

Cansado da música podre que rola por aí? Temos o problema a solução para sua solução seu problema!

Ki-Suco Cooláidraço o single do verão.


Ki-Suco Pererê

Ki-Suco na jarra, vermelho radioativo,
mistura com água e já vira combustível.
Nutricionista chora, dentista faz oração,
porque esse pózinho tem pacto com o capeta e o verão.

OH YEAH! grita a jarra quando bate no copo,
Ki-Suco entra rasgando igual Kool-Aid psicótico.
Não pergunta se quer, não pede licença,
é açúcar com corante e zero de consciência.

Ki-Suco sabor “não sei o quê”, mas eu confio,
parece morango, parece uva, parece um desafio.
Um gole e a língua já muda de cor,
parece que lambi um marcador fluorescente do terror.

Direto da quebrada pro copo americano,
Ki-Suco é o drink oficial do brasileiro insano.
Sem álcool, sem gelo, sem frescura gourmet,
só pó, água da torneira e fé.

Snoop Dogg narrando: “slow down, meu parceiro”
enquanto o Ki-Suco derrete o esmalte do banheiro.
É doce demais, é errado demais,
mas quem nunca tomou isso não viveu os anos 90 em paz.

Ki-Suco não hidrata, ele ameaça,
entra no organismo e faz fumaça.
É refresco? É veneno? É arte contemporânea?
É só mais um erro bonito da indústria alimentícia brasileira.

Edição limitada THE MIX


Ouça aqui:



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