A Cremogema não virou um clássico apesar do marketing virou apesar das decisões de marketing. O que era só um mingau virou, ao longo dos anos, um zoológico doidaço de mascotes que surgiram, sumiram e foram substituídos sem explicação alguma. Este texto é o registro oficial desse surto embalado em caixa de papelão.
A Cremogema começou simples, quase humilde demais para o caos que viria depois.
🟡 Anos 70/80 - A era da sobriedade
No começo, nada de mascote.
Nada de animal simpático.
Nada de marketing infantil psicodélico.
Era só um prato com mingau, olhando pra você como quem diz:
“É isso. Come e não enche.”
Design fechado, sério, quase soviético. Um produto que parecia mais um alimento funcional do que algo que uma criança iria implorar e fazer showzinho no mercado.
🟣 Anos 90 / 2000 - O surto coletivo
Aí alguém no marketing pensou:
“E se… o mingau tivesse personalidade?”
E pronto. Junte isso ao fato que os anos 90 foram a década mais sem limites de todos os tempos.
Aí a Cremogema entrou oficialmente na fase zoológico antropomorfizado. Infelizmente há poucas imagens das embalagens disponíveis na internet, aqui é na base da memória.
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| Embalagem da Cremogema Tradicional dos Anos 1990. |
🌽 Milho Verde: O Espantalho
Até que faz sentido.
Milho → fazenda → espantalho.
Um raro momento de lucidez no delírio. O espantalho mais parecia um filho do mascote do Fandangos com a Emília do Sítio do Pica-pau Amarelo.
🍓 Morango: O Coelho
Coelho, morango, infância... tudo alinhado. Esse sabor era o meu favorito e acho que de centenas de outras crianças na época.
Por um breve momento, a Cremogema parecia saber exatamente o que estava fazendo (mas veja o que ela fará mais para frente).
🍫 Chocolate: A Vaca
Uma vaca marrom.
Para um produto de chocolate.
Ninguém sabe explicar, todo mundo aceitou e muitos dizem que era o melhor sabor.
🟡 Tradicional: O Urso
O sabor tradicional ganha um urso, símbolo universal de conforto, infância e “esse produto nunca vai sair de linha”.
Até hoje ele sobrevive. O verdadeiro Highlander da Cremogema. Ele passou por várias modificações durante as décadas de 1990 - 2000.
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| Versão Anos 2000 |
🔵 Anos 2010 - As edições limitadas e o marketing experimental
Aqui a coisa começa a ficar caótica de verdade. Inclusive nessa época houveram vários crossovers insólitos: Era do Gelo, Disney, Cocoricó estamparam os sabores do mingau. Vamos nos abster a falar desses, vamos focar nos animais exclusivos da Cremogema, que foram:
🌙 Hora do Sono - A Ovelha
Porque nada diz “durma bem” como um mingau com branding de ASMR infantil.
Ovelha, contar carneirinhos, bocejo, noite... tudo muito conceitual. Um sossega-leão júnior.
🌾🍯 Aveia e Mel - A Esquila Marrom
Um esquilo fêmea.
Marrom.
E, aparentemente, a segunda mascote feminina da linha (ignorando o arco Disney/Cocoricó), finalmente chegando pra fazer companhia à Vaca do chocolate: porque até no mingau alguém precisava colocar as fofocas em dia.
🌽 Canjica - O retorno do Espantalho
Sim, ele voltou apelando para o regionalismo.
Porque mascote aposentado nunca morre só espera uma edição limitada.
🍌 Vitamina de Frutas / Banana → Macaco
Sim, existiu este sabor lá pelos anos 2000 e somente quem já está com a coluna reclamando irá lembrar. A vitamina de frutas some misteriosamente (provavelmente sequestrada) e surge o sabor banana, com um macaco, porque criatividade é isso: fruta → animal óbvio.
🥕🥔 Legumes (salgado): A Batata e a Cenoura
Sim, existiu este sabor lá pelos anos 2000 e somente quem já está com a coluna reclamando irá lembrar. A vitamina de frutas some misteriosamente (provavelmente sequestrada) e surge o sabor banana, com um macaco, porque criatividade é isso: fruta → animal óbvio.
Sim, teve versão salgada.
Sim, com legumes.
E os mascotes?
Uma batata e uma cenoura.
Sem animal, sem metáfora. Só dois vegetais olhando pra você como quem diz:
“É isso aí. Hoje o mingau desistiu de ser sobremesa.”
Um raro momento em que a Cremogema abandonou o zoológico e foi direto pro hortifruti. Provavelmente o ato mais honesto de toda a linha.
🔴 E o morango? O maior crime dessa história
Aqui mora a treta.
O morango tinha um coelho.
Clássico. Funcional. Aceitável.
Aí alguém decidiu que não era mais suficiente.
💥 Coelho removido.
💥 Entra um esquilo rosa.
UM. ESQUILO. ROSA.
Não explica o morango.
Não explica a cor.
Não explica a troca.
Só acontece.
E nós aceitamos porque já estamos ficando velhos e desistimos de entender.
🔁A Repaginada
📊 O quadro atual (o que sobrou depois do surto de 2010)
Depois de décadas de mascotes entrando e saindo como se fosse reality show:
✔️ Tradicional: Urso (imortal)
✔️ Chocolate: Vaca (repaginada porém resistente)
✔️ Morango: Esquilo rosa (ninguém pediu, mas ficou)
Todo o resto virou lembrança nebulosa, edição limitada ou delírio coletivo de quem cresceu vendo bichos em embalagem no café da manhã.
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| Ele continua firme e forte. |
🥣 Conclusão
A Cremogema tentou:
-
ser séria
-
ser divertida
-
ser conceitual
-
ser calmante
-
ser zoológico
ser hortifruti
fazer crossovers
No fim, ficou com três mascotes sobreviventes e um monte de personagens abandonados no limbo do marketing alimentar brasileiro.
É quase um filme épico. E você aí, achando que só estava tomando mingau...















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