COM DEFEITO DE FABRICAÇÃO
A RASPA DO TACHO DA INTERNET. GOROROBA PRONTA DESDE 2010.
sexta-feira, 5 de junho de 2026
Propagandas Honestíssimas #1 - O Biscoito Recheado de Chocolate
quarta-feira, 13 de maio de 2026
segunda-feira, 11 de maio de 2026
Nesquik - A Queda: Caramelo Sumiu e Morango Virou Açúcar Rosa
Continuando a série de falar sobre produtos alimentícios, hoje vamos traçar a trajetória de um produto que adoçava as manhãs da garotada: o Nesquik. E houve uma época em que o coelho resolveu ousar.
Sim, ousar de verdade, não esse “nova fórmula levemente diferente” que dura 3 meses. E daí veio o Nesquik Caramelo, a verdadeira delícia gelada.
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| O cheiro disso era uma coisa fora de série! |
🍮 Nesquik Caramelo (final dos anos 90 / começo dos 2000)
Ele existiu.
E não era delírio coletivo.
Um achocolatado que decidiu sair do chocolate/morango e foi direto pro caramelo, como se alguém tivesse deixado um pudim cair dentro do leite.
Simplesmente delicioso bem gelado.
Mas tudo que é bom dura pouco. Porque o brasileiro médio olha pra algo fora do padrão e manda:
“Cadê o chocolate disso aqui?”
Resultado: sumiu sem despedida. A Nestlé alegou às baixas vendas e foco no sabor morango, que é o seu carro chefe.
Provavelmente enterrado junto com várias outras ideias boas que não sobreviveram ao mercado.
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| O Trio Ternura dos anos 90/2000. |
🍓 Nesquik Morango A decadência em pó
Agora vamos ao sobrevivente… ou quase isso.
O Nesquik de morango ainda existe, tecnicamente.
Mas em algum ponto da linha do tempo ele deixou de ser “sabor morango” e virou:
açúcar cor-de-rosa com leves traços de nostalgia
Você coloca no leite e o gosto é tipo:
- 90% doce
- 9% memória afetiva
- 1% morango tentando sobreviver
É como se o produto tivesse desistido de fingir que era fruta e abraçado o caos.
🧠 Teoria (não tão teoria assim)
O que aconteceu aqui é simples:
- O caramelo morreu porque era diferente demais
- O morango sobreviveu, mas foi domesticado até virar açúcar com corante
Ou seja:
👉 o mercado não rejeita o produto, ele vai colocando downgrade até o momento que o povo percebe. Se não perceber, segura que vai ficar pior.
🥛 Conclusão
O Nesquik já tentou inovar.
Hoje ele só tenta não assustar ninguém.
E no fim das contas, a lição é clara:
Se o sabor for diferente, ele some.
Se for popular, ele é diluído até virar lembrança.
quinta-feira, 30 de abril de 2026
Cremogema e a Zona dos Mascotes: Quando o Mingau virou Zoológico (e Depois Fingiu que Nada Aconteceu)
A Cremogema não virou um clássico apesar do marketing virou apesar das decisões de marketing. O que era só um mingau virou, ao longo dos anos, um zoológico doidaço de mascotes que surgiram, sumiram e foram substituídos sem explicação alguma. Este texto é o registro oficial desse surto embalado em caixa de papelão.
A Cremogema começou simples, quase humilde demais para o caos que viria depois.
🟡 Anos 70/80 - A era da sobriedade
No começo, nada de mascote.
Nada de animal simpático.
Nada de marketing infantil psicodélico.
Era só um prato com mingau, olhando pra você como quem diz:
“É isso. Come e não enche.”
Design fechado, sério, quase soviético. Um produto que parecia mais um alimento funcional do que algo que uma criança iria implorar e fazer showzinho no mercado.
🟣 Anos 90 / 2000 - O surto coletivo
Aí alguém no marketing pensou:
“E se… o mingau tivesse personalidade?”
E pronto. Junte isso ao fato que os anos 90 foram a década mais sem limites de todos os tempos.
Aí a Cremogema entrou oficialmente na fase zoológico antropomorfizado. Infelizmente há poucas imagens das embalagens disponíveis na internet, aqui é na base da memória.
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| Embalagem da Cremogema Tradicional dos Anos 1990. |
🌽 Milho Verde: O Espantalho
Até que faz sentido.
Milho → fazenda → espantalho.
Um raro momento de lucidez no delírio. O espantalho mais parecia um filho do mascote do Fandangos com a Emília do Sítio do Pica-pau Amarelo.
🍓 Morango: O Coelho
Coelho, morango, infância... tudo alinhado. Esse sabor era o meu favorito e acho que de centenas de outras crianças na época.
Por um breve momento, a Cremogema parecia saber exatamente o que estava fazendo (mas veja o que ela fará mais para frente).
🍫 Chocolate: A Vaca
Uma vaca gordinha e marrom.
Meio óbvio para um produto de chocolate.
Ninguém sabe explicar, todo mundo aceitou e muitos dizem que era o melhor sabor.
🟡 Tradicional: O Urso
O sabor tradicional ganha um urso, símbolo universal de conforto, infância e “esse produto nunca vai sair de linha”.
Até hoje ele sobrevive. O verdadeiro Highlander da Cremogema. Ele passou por várias modificações durante as décadas de 1990 - 2000.
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| Versão Anos 2000 |
🔵 Anos 2010 - As edições limitadas e o marketing experimental
Aqui a coisa começa a ficar caótica de verdade. Inclusive nessa época houveram vários crossovers insólitos: Era do Gelo, Disney, Cocoricó estamparam os sabores do mingau. Vamos nos abster a falar desses, vamos focar nos animais exclusivos da Cremogema, que foram:
🌙 Hora do Sono - A Ovelha
Porque nada diz “durma bem” como um mingau com branding de ASMR infantil.
Ovelha, contar carneirinhos, bocejo, noite... tudo muito conceitual. Um sossega-leão júnior.
🌾🍯 Aveia e Mel - A Esquila Marrom
Um esquilo fêmea.
Marrom.
E, aparentemente, a segunda mascote feminina da linha (ignorando o arco Disney/Cocoricó), finalmente chegando pra fazer companhia à Vaca do chocolate: porque até no mingau alguém precisava colocar as fofocas em dia.
🌽 Canjica - O retorno do Espantalho
Sim, ele voltou apelando para o regionalismo.
Porque mascote aposentado nunca morre só espera uma edição limitada.
🍌 Vitamina de Frutas / Banana → Macaco
Sim, existiu este sabor lá pelos anos 2000 e somente quem já está com a coluna reclamando irá lembrar. A vitamina de frutas some misteriosamente (provavelmente sequestrada) e surge o sabor banana, com um macaco, porque criatividade é isso: fruta → animal óbvio.

A boca do macaco parece mais um bico de pato.
🥕🥔 Legumes (salgado): A Batata e a Cenoura
Sim, existiu este sabor lá pelos anos 2000 e somente quem já está com a coluna reclamando irá lembrar. A vitamina de frutas some misteriosamente (provavelmente sequestrada) e surge o sabor banana, com um macaco, porque criatividade é isso: fruta → animal óbvio.
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| A boca do macaco parece mais um bico de pato. |
Sim, teve versão salgada.
Sim, com legumes.
E os mascotes?
Uma batata e uma cenoura.
Sem animal, sem metáfora. Só dois vegetais olhando pra você como quem diz:
“É isso aí. Hoje o mingau desistiu de ser sobremesa.”
Um raro momento em que a Cremogema abandonou o zoológico e foi direto pro hortifruti. Provavelmente o ato mais honesto de toda a linha.
🔴 E o morango? O maior crime dessa história
Aqui mora a treta.
O morango tinha um coelho.
Clássico. Funcional. Aceitável.
Aí alguém decidiu que não era mais suficiente.
💥 Coelho removido.
💥 Entra um esquilo rosa.
UM. ESQUILO. ROSA.
Não explica o morango.
Não explica a cor.
Não explica a troca.
Só acontece.
E nós aceitamos porque já estamos ficando velhos e desistimos de entender.
🔁A Repaginada
📊 O quadro atual (o que sobrou depois do surto de 2010)
Depois de décadas de mascotes entrando e saindo como se fosse reality show:
✔️ Tradicional: Urso (imortal)
✔️ Chocolate: Vaca (repaginada porém resistente)
✔️ Morango: Esquilo rosa (ninguém pediu, mas ficou)
Todo o resto virou lembrança nebulosa, edição limitada ou delírio coletivo de quem cresceu vendo bichos em embalagem no café da manhã.
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| Ele continua firme e forte. |
🥣 Conclusão
A Cremogema tentou:
-
ser séria
-
ser divertida
-
ser conceitual
-
ser calmante
-
ser zoológico
ser hortifruti
fazer crossovers
No fim, ficou com três mascotes sobreviventes e um monte de personagens abandonados no limbo do marketing alimentar brasileiro.
É quase um filme épico. E você aí, achando que só estava tomando mingau...
segunda-feira, 5 de janeiro de 2026
KI-SUCO COOLÁIDRAÇO
Ki-Suco Cooláidraço o single do verão.
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| Ki-Suco Pererê |
Ki-Suco na jarra, vermelho radioativo,
mistura com água e já vira combustível.
Nutricionista chora, dentista faz oração,
porque esse pózinho tem pacto com o capeta e o verão.
OH YEAH! grita a jarra quando bate no copo,
Ki-Suco entra rasgando igual Kool-Aid psicótico.
Não pergunta se quer, não pede licença,
é açúcar com corante e zero de consciência.
Ki-Suco sabor “não sei o quê”, mas eu confio,
parece morango, parece uva, parece um desafio.
Um gole e a língua já muda de cor,
parece que lambi um marcador fluorescente do terror.
Direto da quebrada pro copo americano,
Ki-Suco é o drink oficial do brasileiro insano.
Sem álcool, sem gelo, sem frescura gourmet,
só pó, água da torneira e fé.
Snoop Dogg narrando: “slow down, meu parceiro”
enquanto o Ki-Suco derrete o esmalte do banheiro.
É doce demais, é errado demais,
mas quem nunca tomou isso não viveu os anos 90 em paz.
entra no organismo e faz fumaça.
É refresco? É veneno? É arte contemporânea?
É só mais um erro bonito da indústria alimentícia brasileira.
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| Edição limitada THE MIX |
Ouça aqui:
sexta-feira, 26 de dezembro de 2025
DELÍRIO OU CAUTELA? A CANETA BIC NÃO ESCREVE. ELA ESPIONA.
Sempre disseram que teoria da conspiração é coisa de maluco. Que a população sempre está errada tem razão. Principalmente quando o assunto é algo simples demais para levantar suspeita. Tipo… uma caneta.
A velha, barata, onipresente BIC Cristal.
Você acha mesmo normal um objeto que custa centavos, está em todos os lugares, dura meses, escreve em qualquer papel, sobrevive a quedas, mordidas, provas finais, assinaturas de contratos diabólicos e bilhetinhos comprometedores de amor? Não. Nada disso é normal. Isso é tecnologia alienígena de observação disfarçada.
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| Já percebeu que a BIC está presente desde igrejas a escritórios, escolas e até em casas da luz vermelha? |
Enquanto você acha que está apenas anotando um telefone, reclamando da vida ou escrevendo "OBA FOLHA LIMPA" “eu te amo” num canto do caderno, a caneta está coletando dados. Mais especificamente a bolinha que fica na ponta esferográfica. O ovo da serpente mora ali.
Padrões de escrita. Emoções. Ideias. Raiva. Frustrações. Aquela lista de compras que revela mais sobre você do que qualquer rede social.
“Ah, mas é só tinta.”
Claro. E o Wi-Fi também é só ar...
E vamos falar do mascote da BIC. Porque fingir que aquilo não existe é parte do problema. Aquele bonequinho com uma cabeçorra ornada por um capacete fumê reluzente, que aparentemente não serve pra nada na Terra, a não ser esconder sua verdadeira identidade. Aquilo não é um estudante. Não é um operário. Aquilo é claramente um ET em missão de espionagem, tentando se passar por humano desde os anos 60.
Capacete pra quê? Proteção contra o vácuo da sala de aula? Ou proteção microbiológica? Ou ainda, literalmente esfrega na nossa cara que a bolinha da ponta representa não menos que a capciosa sonda.
A população sempre surta desconfia pouco. Porque ninguém questiona a caneta. Todo mundo questiona o celular, o microfone, a câmera… mas o objeto que passa horas deslizando pela sua mão, traduzindo seus pensamentos em símbolos físicos? Totalmente inocente, né? E depois some de repente.
Retirada estratégica? Volta pra nave-mãe? Reset? Reimplantação em outro ponto do planeta?
Talvez seja por isso que a BIC nunca muda. Não precisa. O projeto já está perfeito. Simples. Invisível. Universal. Em diversas cores. Igual às melhores operações de coleta de inteligência.
Então continue escrevendo. Continue confiando. Continue achando que é só uma caneta azul.
Paranóia? Só o tempo dirá.
Enquanto isso, em algum lugar do universo, alguém está lendo tudo o que você nunca deveria ter colocado no papel.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2025
PANETONE: Um Grande Manifesto-Epopéia ao Seu Favor
CANTO I
🥖 MANIFESTO PANETONISTA
Contra a Modinha Açucarada e a Favor da Tradição que Espera
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| O triunfo do Panetone. |
Chega.
Todo fim de ano a mesma encenação: alguém diz que “ninguém gosta de fruta cristalizada” enquanto mastiga o terceiro pedaço de panetone. Mentem para si mesmos. Mentem para o tempo.
O Panetone não é tendência.
Não pede curtida.
Não precisa se reinventar a cada Natal.
Ele fermenta.
E quem fermenta, espera.
O Chocotone é barulho. É pressa. É excesso tentando esconder o vazio com recheio. Escorre, derrete, cansa. Vive do impacto imediato, como tudo que não confia no próprio sabor.
O Panetone não escorre.
Ele sustenta.
Não se come Panetone com gula. Come-se com respeito.
Fatia-se. Serve-se. Divide-se.
Ele exige mesa, faca, prato e um mínimo de civilização.
Fruta cristalizada não é erro.
É memória preservada.
É o doce que não implora.
O Chocotone tenta agradar.
O Panetone permanece.
E quando a moda passa, quando o açúcar enjoa, quando o hype derrete sob o calor da própria ansiedade…
é o Panetone que ainda está ali, seco, firme, intacto, esperando o próximo Natal como quem sabe que o tempo trabalha a seu favor.
Que exista o Chocotone.
Mas que se saiba:
ele não substitui, não supera, não corrige.
O Panetone não precisa vencer.
Ele já venceu ao sobreviver.
CANTO II
📜 POEMA
Canto Final do Pão que Espera
Antes do ruído,
antes do embrulho brilhante,
antes do açúcar pedir desculpas,
houve o pão alto.
Cresceu em silêncio,
fermentando o tempo
como quem entende
que pressa não alimenta.
No seu corpo,
frutas suspensas —
verões guardados,
doces que aprenderam a esperar.
Então veio o outro,
escuro, jovem, escorrendo promessa,
gritando sabor
como quem teme o esquecimento.
Derreteu.
O chocolate cede ao calor.
A tradição não.
Quando a mesa esvaziou
e o Natal virou memória,
era o Panetone que ainda estava ali,
firme como um calendário antigo.
Não pediu aplauso.
Não pediu reinvenção.
Apenas voltou,
como sempre volta.
Pois há coisas
que não precisam ser modernas
para serem eternas.
CANTO III
🍞 A PANETONÍADA
Canto Único da Guerra Doce que Definiu o Natal
No princípio,
quando o forno ainda era fogo
e o fogo ainda era rito,
ergueu-se o pão.
Não um pão qualquer,
mas o pão que ousou crescer
para além da necessidade,
alto como torre,
lento como promessa.
Fermentou em silêncio,
enquanto o mundo aprendia a esperar.
E esperar
era virtude.
Seu miolo nasceu dourado,
cheio de ar e memória,
carregando fragmentos do sol
presos em açúcar e tempo:
as frutas,
antigas como histórias contadas à mesa
por avós que falavam pouco
e sabiam muito.
Chamaram-no Panetone.
E o nome ficou.
Vieram eras.
Vieram guerras.
Vieram modas que se dissolveram
como neve em mãos inquietas.
O Panetone ficou.
Ano após ano,
voltava sem pedir licença,
sem alterar sua forma,
sem pedir desculpas por existir
do jeito que sempre existiu.
Então, num Natal tardio,
quando o mundo já gritava demais,
surgiu o outro.
Escuro.
Brilhante.
Escorrendo.
Veio o Chocotone,
filho da pressa,
neto do marketing,
criado em laboratório de tendência
onde ninguém espera nada crescer.
Seu recheio prometia tudo.
Seu sabor gritava.
Sua embalagem implorava atenção.
Era doce,
mas inquieto.
Intenso,
mas efêmero.
Onde passava, derretia.
Onde ficava, cansava.
E disseram:
— Este é o futuro.
Mas o futuro suava.
O Chocotone marchou pelas mesas,
conquistou paladares apressados,
seduziu mãos que não usam faca,
foi rasgado, esmagado, consumido em pé,
sem prato, sem pausa, sem respeito.
O Panetone observava.
Não se moveu.
Não respondeu.
Não se reinventou.
Esperou.
Pois o Panetone sabe
que o tempo trabalha a favor
daquilo que não teme o silêncio.
Vieram os dias quentes.
Vieram as sobras.
Vieram os Natais passados.
O chocolate escorreu,
manchou guardanapos,
derreteu sob o próprio excesso.
O Panetone secou.
E permaneceu.
Firme.
Íntegro.
Comível dias depois,
semanas depois,
como um monumento esquecido na mesa
que ainda cumpre sua função.
E quando o último convidado saiu,
quando a última risada virou eco,
quando o Natal virou memória difusa,
era o Panetone
que ainda estava ali.
Partido em fatias imperfeitas,
cheio de migalhas e história,
esperando alguém que entendesse
que nem tudo precisa ser novo
para ser necessário.
E então compreenderam — tarde, mas compreenderam:
O Chocotone acontece.
O Panetone retorna.
O Chocotone agrada.
O Panetone sustenta.
O Chocotone grita:
— Olhem para mim!
O Panetone sussurra:
— Eu estarei aqui.
E assim não houve golpe final,
nem vitória ruidosa,
nem coroação explícita.
Houve apenas permanência.
Pois vencer,
na guerra do tempo,
não é brilhar mais forte —
é durar mais.
E enquanto houver forno,
enquanto houver mesa,
enquanto alguém ainda souber esperar,
o Panetone se erguerá novamente,
alto, lento e inevitável,
como sempre foi.
CANTO IV
🎂 A GRANDE PANETONÍADA DEFINITIVA
Crônica do Pão que Não se Curvou ao Tempo
Cantai, ó fornos antigos,
cantai, ó mesas manchadas de migalhas,
cantai o pão que não pediu permissão
para atravessar os séculos.
Pois antes das vitrines,
antes dos sabores edição limitada,
antes do Natal virar campanha,
existia o crescimento lento.
E desse crescimento
ergueu-se o Panetone.
Não nasceu pequeno.
Não nasceu humilde.
Nasceu alto,
como tudo que sabe
que precisará durar.
Seu corpo inflou com paciência,
aprendeu o ritmo da espera,
entendeu que crescer
não é inflar —
é sustentar.
E em seu miolo
guardou fragmentos do mundo:
frutas arrancadas do tempo,
presas em açúcar
como fósseis comestíveis
de verões que já passaram.
Era pão,
mas também era memória.
E o mundo girou.
Impérios caíram.
Tecnologias prometeram eternidade.
Sabores surgiram jurando substituir tudo.
O Panetone não respondeu.
Ele voltou.
Todo ano,
no mesmo formato,
com o mesmo cheiro,
com a mesma coragem de não mudar.
Vieram os que zombaram:
— Velho demais.
— Seco demais.
— Fruta demais.
O Panetone ouviu.
E continuou existindo.
Então, num Natal inquieto,
numa era de ansiedade coletiva,
quando ninguém mais esperava nada crescer,
surgiu o outro.
O Chocotone.
Escuro como anúncio noturno.
Brilhante como embalagem que promete redenção.
Recheado até o limite
onde o excesso tenta virar virtude.
Era doce,
mas nervoso.
Derretia antes mesmo de ser servido.
Escorria como se fugisse de si.
Precisava ser consumido rápido,
antes que se tornasse apenas
uma poça de intenção fracassada.
E o mundo aplaudiu.
Chamaram-no inovação.
Chamaram-no evolução.
Chamaram-no necessário.
O Panetone permaneceu calado.
Pois quem atravessa gerações
não discute com tendências.
Vieram mesas divididas.
Famílias separadas por opiniões rasas.
Discussões acaloradas
sobre frutas cristalizadas
como se fossem questões de Estado.
O Chocotone avançava,
ocupava espaços,
manchava toalhas,
pedia guardanapos extras.
O Panetone aguardava a faca.
Sempre a faca.
Sempre o prato.
Sempre o gesto civilizado
de quem sabe que comer
também é ritual.
O tempo passou —
como sempre passa.
O chocolate cedeu ao calor.
O recheio cansou.
O excesso enjoou.
Sobrou o pão.
Um pouco mais seco, talvez.
Mas ainda pão.
Ainda inteiro.
Ainda digno.
E quando o Natal acabou,
quando as luzes foram guardadas,
quando o ano virou apenas promessa distante,
era o Panetone
que ainda estava ali.
Testemunha silenciosa
de que a pressa sempre perde
para o que sabe esperar.
E então entenderam,
não com aplausos,
mas com resignação:
O Chocotone nasce para o momento.
O Panetone nasce para o retorno.
Um grita:
— Agora!
O outro responde:
— Sempre.
E assim,
sem coroação,
sem sangue,
sem açúcar derramado além do necessário,
o Panetone venceu.
Não por força.
Não por moda.
Mas por aquilo que nenhuma tendência suporta:
permanência.
E enquanto houver Natal,
enquanto houver forno aceso,
enquanto alguém ainda souber
que esperar também é sabor,
o Panetone se erguerá outra vez,
alto, paciente, inabalável,
lembrando ao mundo
que tradição não precisa vencer —
ela apenas fica.
CANTO V
🍰A ULTRAPANETONÍADA
Ou: Do Pão que Esperou, da Doçura que Gritou e da Fé que Permaneceu
Cantai outra vez,
ó fornos que rangem como portas antigas,
cantai, ó mãos enfarinhadas
que conhecem o peso do tempo.
Pois ainda não dissemos tudo.
Ainda não foi suficiente.
O Panetone exige demora,
e esta história também.
No princípio do princípio,
antes mesmo do Natal ter data fixa,
antes do calendário ser mercadoria,
antes da palavra “especial” perder o sentido,
houve o gesto simples:
misturar.
esperar.
assar.
E desse gesto repetido
— sem pressa, sem anúncio, sem presságio —
ergueu-se novamente o pão alto.
O Panetone não foi criado para impressionar.
Foi criado para voltar.
Voltar quando o ano cansa.
Voltar quando a mesa precisa de algo
que não discuta,
que não provoque,
que apenas esteja ali.
Seu crescimento não é explosão.
É confiança.
Cada fruta em seu corpo
é um fragmento de mundo preservado:
laranjas que já viram outros sóis,
uvas que atravessaram estações,
açúcar que aprendeu a conter o tempo
sem destruí-lo.
Dizem que incomoda.
Que é estranho.
Que é antigo demais.
Mas tudo que dura
incomoda quem corre.
E então, mais uma vez,
num Natal apressado,
num mundo que já não sabe sentar sem olhar o relógio,
o Chocotone retornou.
Veio com nova embalagem.
Veio com novo nome.
Veio com recheio ainda mais recheado,
como se o excesso pudesse substituir sentido.
Era doce,
mas não sabia esperar.
Seu sabor explodia
e morria no mesmo instante.
Sua promessa era agora
ou nunca.
E o mundo — cansado, faminto, ansioso —
acreditou.
Houve quem proclamasse:
— O antigo acabou.
— O novo chegou.
— Não precisamos mais do pão que demora.
Mas o tempo ouviu isso antes.
E sorriu.
Vieram os dias quentes.
Vieram as sobras esquecidas.
Vieram os Natais empilhados uns sobre os outros
como caixas no fundo do armário.
O chocolate cedeu.
Sempre cede.
O brilho virou mancha.
O excesso virou enjoo.
O entusiasmo virou silêncio.
E lá estava ele.
Outra vez.
O Panetone,
menos macio, talvez,
mas ainda inteiro,
ainda honesto,
ainda disposto a ser repartido.
Porque o Panetone não é feito para o impacto.
É feito para a partilha.
Não se come sozinho, escondido, correndo.
Ele pede pausa.
Ele pede faca.
Ele pede que alguém diga:
“Quer um pedaço?”
E então, quando tudo parece apenas tradição vazia,
quando o Natal ameaça virar só data,
só embrulho,
só ruído,
o Panetone permanece
como um lembrete silencioso.
De que o verdadeiro significado do Natal
não está na novidade,
nem no excesso,
nem no doce que grita.
Está naquilo que volta.
Naquilo que espera.
Naquilo que se oferece inteiro
sem precisar mudar de forma.
Pois o Natal não é o instante —
é o retorno.
É sentar à mesa.
É repartir o pão.
É acreditar, mesmo cansado,
que há valor no gesto repetido,
no tempo compartilhado,
na fé simples de que algo pode ser o mesmo
e ainda assim fazer sentido.
E assim,
não por moda,
não por vitória ruidosa,
mas por confiança,
o Panetone encerra a epopeia
como sempre encerra o ano:
não como espetáculo,
mas como sinal.
De que enquanto houver fé
no encontro,
na espera,
e no pão partido em silêncio,
o Natal continuará existindo —
não no brilho,
mas no significado.
E isso,
nenhuma tendência derrete. 🥖✨
segunda-feira, 22 de dezembro de 2025
quarta-feira, 17 de dezembro de 2025
A Teoria Alucinada de Albert Porta (1919): Manchas Solares, Planetas Alinhados e o Fim do Mundo que Nunca Veio
Em 1919, enquanto a ciência tentava se organizar de forma minimamente séria depois do esculacho humanitário que foi a I Guerra Mundial, o professor de engenharia civil e meteorologista Albert Porta resolveu fazer o oposto. Criou uma teoria surtada que misturava manchas solares, alinhamento de planetas, uma lança misteriosa e a previsão de um terremoto global apocalíptico. Tudo isso sem provas, sem método e sem vergonha.
![]() |
| ChatGPT deu um pisão nos meus desenhos do paint, vamos admitir que o bicho se superou... |
Segundo Porta, o Sol estaria enviando sinais do fim por meio das manchas solares. Esses sinais coincidiriam com um alinhamento envolvendo Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter e Saturno, e Urano na outra ponta do Sol resolveram brincar de de cabo de guerra desencadeando um evento que supostamente ativaria forças internas do planeta: um terremoto pra derrubar tudo. O toque final da insanidade vinha com uma “lança cósmica” (A Lança de Longinus do Evangelion?) tratada como se fosse um interruptor capaz de ligar o modo destruição total da Terra.
A teoria não respeitava astronomia, geologia, física nem lógica básica. Era uma gororoba disfarçada de ciência, onde qualquer fenômeno servia como desculpa para anunciar o fim do mundo. Como toda profecia apocalíptica mal formulada, nada aconteceu. O alinhamento passou, o Sol continuou fazendo o que sempre fez e o planeta seguiu inteiro.
O legado de Albert Porta não foi uma descoberta revolucionária, mas um excelente exemplo de como imaginação sem critério vira pseudociência e o monopólio da informação (informação centralizada). Seu “fim do mundo” fracassou, mas a teoria ficou como registro histórico de uma época em que falar besteira com convicção já parecia suficiente. Mas não parou por aí porque a humanidade tem paixão por cair em arapucas. Vamos falar desses outros surtos coletivos escatológicos na história.
Porta acreditava que as manchas solares eram sinais diretos de um colapso iminente. Segundo ele, uma misteriosa lança funcionaria como um “gatilho cósmico”, conectando a atividade do Sol às forças internas da Terra. O resultado dessa combinação absurda seria um terremoto global capaz de causar o fim do mundo. Nada aconteceu, exceto a comprovação de que imaginação sem método não é ciência.
domingo, 14 de dezembro de 2025
Kool-Aid Island Twists: Os Ki-Suco Que o Brasil JAMAIS Teria Coragem de Lançar
Esse post é uma continuação direta desse aqui, onde traçamos uma comparação entre os sabores do refresco Ki-Suco gringo (Kool-Aid) e brasileiro.
Enquanto o Brasil vive preso no ciclo eterno de limão-laranja-uva-morango, o Kool-Aid lá dos EUA brinca de laboratório e inventa linhas temáticas só porque pode, mais além disso: o povo taca o f*d*-se e compra mesmo. Fico aqui me perguntando quem foi ou foram as mentes disruptivas por trás desses sabores completamente alucinados.
Uma delas é a Kool-Aid Island Twists, inspirada em “vibes tropicais” aquelas que só existem em comerciais americanos cheios de coqueiros genéricos. Ele foi lançado em meados dos anos 90, a década mais sem limites de todas as eras.
E os sabores? Aqui estão os protagonistas:
🧊 Ice Blue (Raspberry Lemonade)
Azul, gelado, alienígena. Observem a fineza que é o degradê da embalagem.🍓🥝 Slammin' Strawberry-Kiwi
Morango com kiwi, 100% a cara da riqueza nos anos 90 e os caras transformaram isso em refresco em pó.
🍊🍍 Oh-Yeah Orange-Pineapple
Laranja com abacaxi numa vibe “suco de praia de desenho animado”. Esse aqui com certeza faria um esculacho de sucesso aqui nas terras tupiniquins, não fosse o medo da inovação.
🥝🍋 Kickin' Kiwi-Lime
Kiwi com lima, chutando o bom senso para longe. Mas dane-se, o povo abraçou.
🥭🍓 Man-O-Mango Berry
Manga com frutas vermelhas combinação mais improvável que manga com leite.
❤️ Bonus: Mega Mountain Twists
Cranberry... Não sei nem que gosto tem isso.
E é isso.
Quatro sabores psicodélicos que os americanos tratam como se fossem férias em pó e misturas de corantes vindas de outra dimensão; e que aqui no Brasil nunca veriam a luz do dia porque alguém no setor de marketing diria:
“Hmmm… melhor não, lança morango e laranja de novo.”
domingo, 7 de dezembro de 2025
Ki-Suco, Kool-Aid e o Mistério dos Sabores Perdidos
(Ou: por que no Brasil tudo vira limão, laranja, uva e morango?)
Você já percebeu que, no Brasil, todo refresco em pó parece sofrer de uma crise existencial? Nos Estados Unidos, o Kool-Aid tem 50 sabores, incluindo coisas que parecem ter sido inventadas por um químico surtado depois de cheirar muito açúcar: Blue Raspberry, Sharkleberry Fin, Tropical Punch, Uva Nuclear Radioativa Neon 3000, e por aí vai.
Aí você olha pro Brasil e encontra… o quê?
Limão. Laranja. Uva. Morango.
O santo quarteto sagrado que reina desde a época em que TV era de tubo e Ki-Suco era servido em copo de vidro que nunca mais saiu da cozinha da sua avó.
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| Olha o esculacho de sabores do Ki-Suco gringo. |
E por que isso?
Bom, porque a indústria sabe que, se lançar um “Morango Cósmico com Poeira Estelar”, o brasileiro médio vai olhar pra embalagem, franzir o nariz e mandar um:
“Hmmm… acho que vou de laranja mesmo.”
A verdade é dura:
Nós somos um país que tem medo de sabor.
Só ousamos quando o sabor vem em pizza e olhe lá.
Enquanto isso, lá fora, o pessoal compra Kool-Aid como se fosse Pokémon: tem que colecionar todos os sabores, inclusive os que parecem ser feitos para extraterrestres. E dá certo. Porque eles testam. Eles arriscam.
Aqui não.
Aqui, se o fabricante inventar um sabor novo e ele não vender nos primeiros 15 minutos, a indústria entra em pânico e cancela o produto. Já mostramos aqui o caso do Detergente Ypê Guaraná, Maxi Bananinha Bauducco, Gulosos Quindim, dentre outros.
Resultado:
Nós ficamos presos no eterno déjà-vu dos mesmos quatro sabores de sempre. Quase uma tradição nacional, só que ninguém pediu. Vá lá que o Ki-Suco lançou até sabores como Salada de Frutas, mas duvido que vá durar muito tempo.
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| Ki-Suco Salada de Frutas, aparentemente o mais fora da curva no quesito sabores. |
Então, da próxima vez que você abrir uma caixa de refresco em pó e ver lá, piscando pra você:
“Sabor: Morango.”
Lembre-se: isso não é falta de criatividade.
É trauma coletivo.
É a indústria dizendo: “Eu até tentaria te vender algo diferente… mas eu sei com quem eu tô lidando.”
E, sinceramente?
No fundo, ela não tá errada.
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